Situações reais em que um risco identificado virou uma solução aplicada.
Do problema à solução: uma ideia que reduziu acidentes
No meu primeiro emprego como Técnica em Segurança do Trabalho, um dos desafios que encontrei foi a recorrência de acidentes com materiais perfurocortantes em um setor de vacinação de aves vivas.
Ler o case completo
Para entender o que estava acontecendo, mergulhei na investigação. Acompanhei cada etapa da atividade, observei o manuseio da seringa, os materiais utilizados, a distância percorrida e a forma como os trabalhadores realizavam a vacinação. Para compreender ainda melhor o processo, participei da atividade e cheguei a vacinar as aves junto com a equipe, sentindo na prática a pega da seringa, os movimentos e as dificuldades da operação.
Foi assim que identifiquei um ponto importante: a maior incidência de acidentes não acontecia durante a vacinação, mas no trajeto entre o local de retirada do medicamento e da seringa e as baias onde as aves eram vacinadas. O risco estava principalmente no deslocamento com a agulha exposta. A partir dessa descoberta, busquei uma solução simples e prática. Procurei uma sapataria e, junto com um sapateiro, desenvolvemos uma pequena bolsa que permitia transportar o medicamento e proteger a seringa durante o trajeto.
Após a implantação, conseguimos reduzir os acidentes com perfurocortantes. A iniciativa foi reconhecida como um projeto de inovação em Segurança do Trabalho e ganhou destaque no jornal interno que circulava entre as unidades da empresa.
Essa experiência, ainda no início da minha carreira, ajudou a construir a profissional que sou hoje: acredito em uma Segurança do Trabalho feita no campo, próxima das pessoas e capaz de transformar a identificação de um risco em uma solução aplicável.
Do diagnóstico à ação: gestão de SST no agronegócio
Iniciamos a gestão de Saúde e Segurança do Trabalho em uma propriedade rural composta por cinco unidades, estruturando a SST a partir da realidade encontrada em cada local.
Ler o case completo
O primeiro passo foi realizar o levantamento das atividades e o mapeamento dos riscos ocupacionais. A partir desse diagnóstico, elaboramos os documentos necessários, estruturamos as informações para os envios ao eSocial e apresentamos à empresa o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e seu plano de ação.
A partir daí, o planejamento começou a se transformar em ações práticas. Em parceria com a empresa, avançamos gradativamente na adequação dos alojamentos, com camas, colchões e armários; melhorias nas instalações sanitárias; treinamentos específicos de acordo com cada função; implantação de DDS (Diálogo Diário de Segurança); definição de limites de velocidade nas fazendas; além de outras medidas de prevenção identificadas durante a gestão.
Mais do que elaborar documentos, acompanhamos a implementação das ações e a evolução da Segurança e Saúde no Trabalho nas cinco unidades.
Hoje considero essa propriedade um case de sucesso no agronegócio, porque demonstra o que uma gestão contínua e construída em parceria pode proporcionar: riscos identificados, ações planejadas e melhorias efetivamente implantadas no ambiente de trabalho rural.
NR-01: quando clareza também significa prevenção
Durante uma avaliação de riscos psicossociais, identificamos, por meio da escuta dos trabalhadores, uma questão importante: nem todos tinham clareza sobre suas atividades, responsabilidades e atribuições dentro da empresa.
Ler o case completo
A partir desse diagnóstico, trabalhamos junto à organização na construção de uma solução prática. Estruturamos as Ordens de Serviço de Segurança e Saúde no Trabalho, contemplando as atividades, os riscos ocupacionais, as medidas de prevenção e as orientações e regras internas de SST. Também desenvolvemos Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) para tornar mais claro como determinadas atividades deveriam ser executadas.
Depois, levamos essas informações aos trabalhadores por meio de treinamento, explicando suas atribuições, responsabilidades, riscos e procedimentos relacionados às suas funções.
O resultado foi uma equipe mais orientada e segura sobre o que se esperava de cada função, proporcionando mais clareza, confiança e segurança para a execução das atividades.
Esse case reforçou algo importante em nosso trabalho com riscos psicossociais: identificar o risco é apenas o começo. A prevenção acontece quando o diagnóstico se transforma em ações que melhoram, de fato, a organização do trabalho.